O efeito filha
Homens que têm filhas mudam de opinião sobre igualdade — e a mudança é mensurável. O que fazer com uma porta que abre sozinha.
Pesquisadores compararam as opiniões de homens sobre políticas de igualdade de gênero antes e depois de terem filhos. Encontraram um padrão que se repete em vários países: homens que têm filhas passam a apoiar mais a igualdade — e o efeito é maior quando a filha é a primogênita ou quando as filhas são maioria entre os filhos.
Não é que esses homens tenham lido alguma coisa. É que o assunto deixou de ser abstrato. "Mulheres ganham menos" é uma estatística. "A minha filha vai ganhar menos" é outra conversa.
O que isso diz
Que a porta para esse assunto, para muitos homens, não é argumento — é a filha. E que ela costuma abrir sozinha, sem que ninguém empurre.
Mas abrir a porta não é atravessar. O pai que passa a apoiar a igualdade em pesquisa de opinião não necessariamente muda o que faz em casa — e é em casa que a filha está olhando.
Ela vai formar a expectativa do que é uma relação entre homem e mulher observando a única que tem à mão: a dos pais dela. O que ela vê você fazer com a mãe dela é o que ela vai achar normal receber de um homem.
O que fazer com isso
- Se você tem filha, faça o exercício: liste três coisas que você quer que um homem faça por ela quando ela for adulta. Depois confira quantas dessas três a mãe dela recebe de você hoje.
- Escolha uma das três e faça nesta semana — na frente dela. Sem anunciar.
- Repare em como você fala da mãe dela quando ela não está. É isso que a sua filha vai achar que homem diz de mulher.
Você ganha um teste simples para saber se está sendo o homem que quer para a sua filha. Ela cresce esperando respeito, porque viu. E o que você faz pela mãe dela passa a ter um sentido a mais.
Onde conferir
Sobre o efeito de ter filhas nas atitudes de homens quanto à igualdade: Washington, American Economic Review, 2008, com congressistas americanos; Warner, Journal of Marriage and Family, 1991; e revisão de Madsen, Utah State University, 2019.