
Manual de um Pai
O que fazer, o que dizer e quando ficar quieto.
Dos 3 aos 13 anos. Para consultar quando acontecer.
Numa tarde de quarta-feira, no meio de uma reunião, eu lembrei que não tinha buscado minha filha na escola. Era a minha primeira semana como procurador-geral do Estado. Ela ficou lá o dia inteiro. Não houve consequências — e levei anos para entender que era exatamente esse o problema.
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A conta que eu fazia
Durante anos eu fui um pai ausente. Não por descuido — por convicção.
Saía cedo, voltava à noite, e muitas vezes ela já estava dormindo. Eu me dizia que a qualidade compensava a quantidade, e dizia com convicção.
Hoje eu sei o que aquilo era: o papel de provedor tinha virado o meu escudo. Enquanto eu estivesse trabalhando pela família, eu estava fazendo o certo. Era inatacável — inclusive por mim.
Eu tirava presença para construir patrimônio. Menos tempo agora, mais segurança para elas depois. Parecia um bom negócio.
Quando o casamento entrou em crise e eu finalmente reduzi o ritmo, a renda caiu.
Elas nunca perceberam que ganhávamos menos.
Não é força de expressão. Nenhuma pergunta, nenhuma queixa, nenhuma diferença de comportamento.
Aquilo de que eu as protegia com tanto empenho nunca chegou perto delas. O que elas sentiam todo dia era a outra coisa — a minha ausência. Essa elas percebiam perfeitamente.
O que eu fiz depois
Reorganizei a vida. Recusei oportunidades. Reduzi o ritmo.
E foi horrível — preciso ser honesto sobre essa parte, porque ela costuma ser apagada das histórias de virada. Ansiedade, sensação de inutilidade, meses de corpo presente e cabeça em outro lugar.
O casamento acabou mesmo assim. Veio o divórcio, elas se mudaram de cidade com a mãe, e eu me mudei junto.
Hoje tenho guarda compartilhada, metade dos dias com elas. Nos meus dias eu levo e busco na escola, faço o almoço e o jantar, acompanho as tarefas, cuido da casa, brinco, ponho para dormir — e trabalho nos intervalos entre essas coisas.
Continuo procurador do Estado e continuo advogando.
O que eu larguei não foi a profissão. Foi a ideia de que o meu valor como pai estava no que eu depositava na conta.
Como ele funciona
Quase todo livro de paternidade é organizado pelo que o autor sabe: capítulos por tema, teoria por cima. Este é organizado pelo que acontece na sua casa. Você não procura "regulação emocional" — procura "ele explodiu na lição", e encontra.
Para cada situação você encontra quatro coisas:
A cena, escrita de um jeito que você reconhece a sua casa.
O que costuma estar acontecendo — o mecanismo por trás, explicado em linguagem de conversa.
O que fazer, e o que dizer, com as palavras exatas quando for conversa.
E o que você provavelmente vai notar depois — incluindo quando não vai notar nada.
E quando não dizer nada. Boa parte do que funciona é saber esperar — não comentar na hora, deixar o silêncio existir, tratar o assunto dias depois.
O guia mostra como reconhecer esses momentos, e como escolher a hora certa de voltar ao assunto. Isso contraria o senso comum de que bom pai é o que resolve tudo na hora, e é uma das coisas que mais mudam a convivência: passar a acertar não apenas o conteúdo, mas também o momento da abordagem.
Sobre as telas
É o assunto que mais consome as casas hoje, e por isso ele tem uma parte inteira no livro — não um capítulo, uma parte, atravessando todas as idades.
Uma coisa você não vai encontrar lá: pesquisa citada para provar que eu tenho razão. O campo não fechou questão, e eu prefiro admitir isso a escolher o estudo que confirma o que eu já penso.
O que tem é o que dá para sustentar: o que fazer em cada idade, os jogos, as regras que se sustentam na prática — e o que fazer quando o uso já saiu do controle.
Os pais antigamente trancavam os filhos em casa para protegê-los do mundo das drogas. Hoje outros tipos de riscos entram na nossa casa, atravessam a porta trancada e capturam o nosso filho deitado na cama, com o celular na mão.
Ache a sua
- Ele explode na lição de casa
- Mentiu para não levar bronca
- Chega calado da escola e responde tudo com uma palavra
- Birra no meio do mercado, com todo mundo olhando
- Você gritou, e agora está com aquele peso no peito
- Ele foi mal na prova — ou escondeu a nota
- Ele se compara com os colegas o tempo todo
- Responde com grosseria e você não sabe se ignora ou se enfrenta
- Os irmãos brigam pela mesma coisa todo dia
- A guerra de desligar a tela, todo dia, na mesma hora
- Ele tem medo de tudo e você não sabe se empurra ou se protege
- Você sente que ama, e não consegue demonstrar
O que isso constrói
Cada uma dessas situações tem resposta concreta no manual. Mas o resultado não é resolver a situação. É outra coisa, e ela tem nome: quando se pergunta aos pais o que eles querem na relação com os filhos, as respostas se repetem em qualquer país. São cinco — e são o que este manual constrói, uma situação de cada vez.
- Passar mais tempo com ele — e fazer o tempo valer.Sessenta e três por cento dos pais dizem que passam pouco tempo com os filhos. A maioria não vai conseguir mais horas. O que dá é fazer as que existem renderem.
- Que ele venha te contar o que importa para ele.Quando a proximidade aumenta, é a primeira coisa que os pais notam: o filho passa a falar com eles sobre o que é importante — não só sobre o dia.
- Prestar atenção no que ele sente, não só no que ele faz.É o que os pais mais dizem ter mudado quando conseguiram estar mais perto. E é o que o filho mais percebe.
- Conhecê-lo de verdade.Saber quem ele é, do que tem medo, o que o faz rir — de um jeito mais fundo do que "está tudo bem" permite.
- Mostrar mais de você.Os pais que se aproximam descrevem sempre isso: contar mais de si, deixar o filho ver quem eles são, inclusive nas falhas.
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Ele mentiu para não levar bronca
A cena
Você descobre que ele mentiu.
Coisa pequena, quase sempre. Disse que fez a lição e não fez. Disse que não foi ele que quebrou. Disse que a professora não passou nada.
E vem aquela reação imediata, que é desproporcional e você sabe: ele mentiu para mim. Isso dói mais do que o que ele fez.
O que costuma estar acontecendo
Primeiro, o que ajuda a baixar a temperatura: nesta idade, mentira quase nunca é sobre caráter.
Ele não está te enganando do jeito que um adulto engana, com premeditação e cálculo. Está tentando fazer um problema desaparecer com as ferramentas que tem — e as ferramentas de uma criança são bem limitadas. Mentir é a primeira que aparece, e ela funciona por alguns minutos, que na cabeça dele é o horizonte inteiro.
A pergunta útil não é “por que ele mentiu”. É “o que ele estava com medo que acontecesse?”
E a resposta, na maioria das vezes, é: a sua reação.
Isso não é uma acusação contra você. Não significa que você é um pai assustador. Significa que, na cabeça dele, contar a verdade tem um custo — e mentir parece mais barato.
Aqui está o ponto que vale mais do que qualquer técnica desta entrada:
O que você faz quando ele conta a verdade decide se ele vai contar da próxima vez.
Se contar a verdade sai caro — se toda confissão vem seguida de sermão, castigo e decepção —, ele vai parar de contar. Não de errar: de contar.
E aí você perde a informação justamente quando ela começa a importar de verdade. Porque as coisas que ele vai esconder aos sete anos são pequenas, e as que ele vai esconder aos quinze não são.
O que você está construindo agora não é obediência. É se ele vai te procurar quando alguma coisa séria acontecer.
O que fazer
Não arme a armadilha. Se você já sabe o que aconteceu, não pergunte “foi você?”. Isso oferece a mentira de bandeja e transforma o episódio numa pegadinha.
Diga o que você sabe e pergunte o que aconteceu.
“A professora me falou que a lição não foi entregue. Me conta como foi.”
Reaja à verdade antes de reagir ao erro. Quando ele assumir, a primeira coisa que sai da sua boca precisa reconhecer isso.
“Obrigado por me contar.”
Sei que soa estranho agradecer a alguém que acabou de admitir uma coisa errada. Mas é exatamente isso que faz a diferença entre um filho que conta e um que esconde. Você está premiando o comportamento que quer ver de novo.
Não elimine a consequência. Se havia consequência, ela continua. O que muda é que assumir conta a favor — e você pode dizer isso com todas as letras:
“A consequência continua. Mas eu confio mais em você agora do que confiava antes de você contar.”
Ofereça o reparo.
“E agora, o que a gente faz?”
Pedir desculpa. Consertar. Contar para quem precisa saber. Refazer a lição.
Isso ensina que erro tem saída — e é justamente a ausência de saída que produz a mentira. Uma criança que sabe consertar tem menos motivo para esconder.
O que essa situação ensina de verdade
Parece que é sobre mentira. Não é. É sobre o que você faz nos três segundos depois que ele conta a verdade — e sobre o que esses três segundos decidem para os próximos dez anos.
O que a relação ganha ao atravessar isso do jeito certo é a segunda das cinco coisas que os pais dizem querer: um filho que vem te contar. Aos sete anos, é sobre a lição. Aos quinze, é sobre tudo — e o caminho até lá se abre ou se fecha em episódios exatamente como este.
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O que você leva, e quando
O manual não entrega técnica. Entrega, uma situação por vez, as cinco coisas que os pais dizem que querem na relação com os filhos — e elas chegam nesta ordem.
Na primeira semana, o tempo que já existe começa a valer. A mesma hora no carro, a mesma mesa, o mesmo sábado — com você sabendo o que dizer e quando ficar quieto.
No primeiro mês, você passa a prestar atenção no que ele sente, não só no que ele faz — porque agora sabe o que a explosão na lição e o silêncio na volta da escola querem dizer. E ele percebe.
Com o tempo, ele vem te contar o que importa para ele, porque descobriu que você entende. Você passa a conhecê-lo de verdade — do que tem medo, o que o faz rir. E, sem perceber, mostra mais de você: os seus erros, as suas histórias, quem você é.
E aí vem o que ninguém avisa: ele te defende numa mesa de almoço, ri da sua piada de verdade, te ensina uma coisa que você não sabia. Você descobre que isso é a melhor parte da vida.
O que muda rápido é você. E é isso que faz você continuar.
Para quem é
Este manual é para você se você trava na hora de falar. Se sente que ama e não consegue mostrar. Se chega cansado e, nas horas que sobram, quer construir memórias com leveza.
Não é para você se você procura um método com nome que promete resultado em trinta dias. Se quer teoria sobre desenvolvimento infantil. Ou se quer que alguém diga que está tudo certo do jeito que está.
Sobre o tempo
Você está pensando que isto exige tempo que você não tem. Não exige — porque o manual não é sobre ter mais tempo com o seu filho. É sobre o que fazer com o tempo que vocês já têm.
Você já convive com ele: no carro, na mesa, na hora de dormir, no sábado. O que muda é o jeito de estar nessas horas. Você passa a saber o que dizer, quando perguntar, quando ficar quieto — e as mesmas horas que hoje passam no automático viram proximidade, conversa, e o tipo de companheirismo em que ele vem te contar as coisas porque sabe que você vai entender.
A maioria dos pais não vai conseguir mais horas. Mas dá para fazer as horas que existem valerem — e isso é o que este manual ensina.
O que vem junto
O Manual de um Pai — 254 páginas em PDF, ISBN 978-65-02-37059-9. Depois, quando você quer entender por quê. Mais de setenta situações por fase, quatro partes transversais — telas, irmãos, divórcio, coisas para fazer juntos — e uma consulta rápida no fim.
Na hora. Três folhas, uma por fase. Qual é o seu papel agora, o erro mais comum, e as cinco situações que mais aparecem. Para a geladeira.
Antes de falar. Dezesseis cartões com as falas exatas — e o que evitar dizer, que costuma ser a frase que sai sozinha.
O calendário do seu filho
Antes de acontecer. Esse bônus é uma ferramenta de presença que utiliza o sistema de um calendário. Você preenche e alimenta rapidamente. O pai que sabe a rotina e os principais eventos da vida do filho consegue participar com presença ou mesmo à distância. E assim o filho saberá que a sua vida é importante para o seu pai.
Você deixa de chegar depois. Sabe da prova antes, do jogo antes, da apresentação antes — e assume postura participativa, mesmo a quilômetros de distância. O tempo com ele deixa de ser adivinhação.
O que nasce disso não é organização. É o seu filho perceber que é visto de verdade pelo pai — e o carinho e a parceria que vêm quando uma criança percebe isso não têm substituto.
Seis páginas e duas folhas para imprimir. Você monta uma vez, em quinze minutos. O resto ele mostra depois que você abrir.
O que este livro não é
Preciso dizer isso antes de você comprar, porque é mais honesto do que descobrir depois.
- Não vai transformar seu filho em trinta dias.O que muda rápido não é ele — é você. Você faz alguma coisa diferente e sente a relação responder em poucos dias. É isso que faz você repetir, e é repetir que, meses depois, muda alguma coisa nele. Nessa ordem, nunca na inversa.
- Não tem método com nome nem sigla.São coisas que um pai faz, com nome comum.
- Não é livro de celebridade.Eu não sou conhecido, não tenho audiência, e não vou aparecer no seu feed contando como é a minha vida.
Como pai, eu ainda estou aprendendo. Vou estar sempre.
Quem escreveu
Luiz Cesar Kimura. Pai de duas meninas, de 12 e 8 anos. Divorciado, guarda compartilhada, metade dos dias com elas.
Procurador do Estado de Goiás há 26 anos, e advogado.
Para a carreira eu estudei anos, planejei, me preparei. Para ser pai, eu simplesmente fui.
Eu queria as duas coisas com a mesma intensidade, mas só havia me preparado para uma.
Achei que amor bastasse. Não basta — e por muito tempo eu fui um pai pressionado, sem nem conseguir nomear a sensação. Provia, cumpria, fazia o certo, mas sem leveza e muitas vezes só de corpo presente.
Este guia é o resultado do que eu aprendi mudando isso. Com pesquisa onde existe estudo. E quando não existe, eu digo com todas as letras.
Quanto custa
Este produto acabou de ser lançado e ainda está no primeiro mês de avaliação.
Você estaria comprando sem poder ler o que outro pai achou, e isso é um risco real. Eu reconheço.
Por isso os primeiros compradores pagam menos. É o preço de comprar antes de existir prova.
Duzentas e cinquenta e quatro páginas, três ferramentas, e uma coisa que nenhum livro de paternidade que eu li tinha: as palavras exatas. Por menos que uma consulta, menos que um jantar fora com a família.
R$ 97R$ 67
Até domingo, 25 de outubro, às 23h59. R$ 67 é o preço do primeiro mês. Depois disso, o produto passa a ter o que hoje não tem — avaliações — e passa a custar o que vale: R$ 97.
Pagamento único. Acesso imediato. Sem assinatura, sem renovação.
Quero saber o que fazer — R$ 67acesso imediato · garantia de 30 dias · pagamento único
Garantia de 30 dias
Sete dias é o padrão do mercado. Aqui são trinta, e há um motivo específico.
Este livro é de consulta — você vai usá-lo quando a situação aparecer, e nem toda situação aparece na primeira semana.
Uma garantia que expira antes do primeiro uso real não tranquiliza ninguém.
Se em trinta dias você achar que não serviu, pede o reembolso e recebe de volta. Sem justificativa, sem conversa.
Perguntas
Serve para que idade? Dos três aos treze anos. Os módulos são por fase, e a orientação é escolher pelo comportamento do seu filho, não pelo aniversário dele.
Funciona se eu vejo pouco meu filho? Em parte. O livro pressupõe convivência frequente, e ele diz isso logo no começo, numa página dedicada a quem está nessa situação. A maior parte do conteúdo continua valendo — o que muda é a frequência com que você aplica, não o conteúdo.
Preciso ler tudo? Não. É um guia para consultar. A primeira parte vale para qualquer idade e é por onde eu recomendo começar. Depois você vai direto à fase do seu filho e à situação que está vivendo hoje.
É só para pai, ou mãe também pode ler? Qualquer pessoa pode ler. Mas ele foi escrito de pai para pai, e o tom é esse.
Minha mulher já lê sobre isso. Não é redundante? Não. É o que falta. O que ela lê é escrito para ela; isto é escrito para você — e as duas leituras não se substituem, se completam.
Já tentei outras coisas e não funcionaram. Provavelmente porque pediam que você mudasse. Isto pede que você faça uma coisa por vez, na hora em que acontece. É outro tipo de esforço.
E se eu comprar e não usar? Trinta dias de garantia servem para isso. Mas o mais provável é que você use na primeira vez que ele explodir — porque é para isso que ele existe.
Como recebo? Por e-mail, logo depois da compra. Arquivos em PDF, que abrem em celular, tablet e computador.
Tem versão impressa? Ainda não.
Eu levei anos para entender o que aquela quarta-feira queria dizer. Você não precisa levar.
Não porque este manual resolve — porque ele encurta. O que eu aprendi errando, você encontra organizado, por situação, na hora em que precisar.
Daqui a dez anos, o que ele vai lembrar não é o que você fez de grande. É se você estava lá nas coisas pequenas.
Quero saber o que fazer — R$ 67acesso imediato · garantia de 30 dias · pagamento único
P.S. Se você leu até aqui, provavelmente já reconheceu a sua casa em algum ponto desta página. Esse reconhecimento é o produto funcionando antes de você comprar. O resto são 254 páginas disso.
P.P.S. A promoção acaba domingo, dia 25 de outubro, às 23h59. Depois é R$ 97.