A vez em que eu quase perdi minha filha dentro de casa
A gente brincava de esconde-esconde, valia a casa inteira. Era a minha vez de procurar. Ouvi vozes no banheiro e gritei, sem abrir a porta: descobri vocês.
Voltei para a base. Pouco depois a mais velha chegou, deitou do meu lado e ligou a televisão. Ficamos ali uns dez minutos até ela perguntar: pai, você não vai achar a minha irmã?
Eu tinha declarado vitória sem abrir a porta. Pulei da cama e saí procurando, já meio assustado. Ela gostava de armário. Abri alguns. Quando abri o do corredor, lá estava ela, sentadinha em cima das roupas de cama dobradas.
Olhou para mim e disse: pai, dessa vez eu me escondi muito bem, porque você demorou pra me achar!
Eu não sabia se ria ou se chorava. Abracei ela. Voltamos para o quarto, deitamos os três, e eu contei o que tinha acontecido de verdade. Os três caíram na gargalhada.
A gente ri disso até hoje. E é isso que eu queria dizer: o erro virou a melhor história da casa. Não porque eu consertei — porque eu contei.
Esta série não termina em ato. Só no momento.
Mandar para alguém Voltar para O prazer de ser pai