Nunca duvide do papitão
Minhas filhas cresceram achando que eu consertava tudo. Eu achava graça — porque eu não sei consertar nada.
Fui eu que inventei. Uma das vezes em que consertei alguma coisa que ninguém esperava, eu disse, meio rindo: nunca duvide do papitão! Elas gargalharam.
Ficou. Virou a frase de todo conserto, e principalmente de todo conserto que deu errado — porque a maioria dá.
Elas me viram fracassar dezenas de vezes: o armário externo que caiu, o vazamento que piorou, a estante que ficou torta. E me viram rir de mim mesmo em todas. Eu esperava ensinar alguma coisa com isso, e talvez tenha ensinado.
Mas o que eu não esperava era o quanto ia ser bom. Ter duas pessoas que acreditam em você contra todas as evidências, e que riem junto quando as evidências vencem — isso não está em nenhum livro sobre o que a paternidade dá. Está em qualquer sábado com uma chave de fenda.
Esta série não termina em ato. Só no momento.
Mandar para alguém Voltar para O prazer de ser pai