O que ele aprende quando você pede desculpa à mãe dele
Um pai que pede desculpa na frente do filho está ensinando uma coisa que nenhuma conversa ensina. Um que nunca pede também está.
Todo casal briga. A criança vê. O que ela vê depois é que faz diferença — e o depois quase sempre acontece longe dela.
A reparação, na maioria das casas, é privada: no quarto, de noite, depois que o filho dormiu. Ele viu a briga e não viu o conserto. E o que ele aprende com isso é que briga não tem conserto — ou que conserto é coisa que se faz escondido.
O que a pesquisa diz
Existe uma diferença bem documentada entre crianças que veem conflito entre os pais resolvido e crianças que só veem o conflito. As primeiras se ajustam melhor, ficam menos ansiosas, e aprendem que discordar não é o fim de nada. As segundas não sabem se a casa vai continuar de pé.
E há um segundo dado, que interessa mais ao pai: meninos aprendem a pedir desculpa vendo homens pedirem. Se o único adulto que pede desculpa em casa é a mãe, ele aprende que desculpa é coisa de mulher.
O que fazer com isso
- Da próxima vez que você errar com a mãe dele — e vai acontecer —, repare onde você pede desculpa. Se for no quarto, de noite, o filho não viu.
- Peça na frente dele. Não precisa ser cena: eu exagerei, desculpa, na mesa, é suficiente.
- Se a briga foi na frente dele, o conserto também precisa ser. Não para ele participar — para ele ver que existe.
- E repare no que ele faz depois da próxima briga com o irmão ou com um amigo. Reparação se aprende por imitação, não por instrução.
Você ensina reparação sem dar aula. Ele aprende que briga tem conserto — e que homem pede desculpa. E a relação com a mãe dele fica mais leve, porque conserto na frente do filho é conserto de verdade.
Onde conferir
Sobre conflito resolvido versus não resolvido diante da criança: Cummings e Davies, Marital Conflict and Children, Guilford, 2010, com estudos que acompanharam famílias ao longo de anos. Sobre modelagem de reparação por gênero: literatura de socialização emocional revisada em Denham e colegas.